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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Auras Coloridas

Dava para ver de longe o sonho secreto daquelas meninas.
            Estavam distraídas, alheias ao meu olhar atento.
            Acho até que ninguém mais via, de tão ocupados em seus mundos particulares.
            Vai ver era loucura, pensei, mas eu via.
            Em cada movimento, de seus seres se desprendia translúcida aura colorida.
            Estranhos matizes, verde, laranja, lilás... , em ondas se moviam.
            Ignorei os comentários, o senso crítico dos passantes.
            Preferi continuar sendo plateia daquela inquietante dança.
            Os outros continuariam enxergando as pobres meninas de roupas maltrapilhas revolvendo o lixo.

                        Bel Plá

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"De que é feita a poesia? De alguma substância imaterial e indefinível que nos arrebata , vem de um universo onde muitas palavras audíveis ainda nem foram criadas, e nos expõe de uma forma que é impossível controlar, ganha forma, e meio que se desvirtua, de tão inadaptável que é, cria laços, rompe barreiras, de tão intensa que é, a poesia é o amor manifestado em versos, num pulsar tão fremente como um coração apaixonado e ao mesmo tempo tão calmo como é o som da nossa alma quando está em paz."
Bel Plá - Alma de Poeta.
"“Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia-a-dia e até no que não é dito com palavras, mas fica no ar...”  Manuel Bandeira


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Poesia

ESPELHOS

Teus olhos
são dois espelhos,
onde os meus,
atrevidos,
teimam em se mirar.
Teus dois espelhos,
e os meus,
quando se fitam,
faíscam,
e se põem a vibrar.
Meus olhos,
nos teus,
se espelham,
e se escondem,
com medo de se quebrar.
     Bel Plá

sexta-feira, 28 de março de 2014

" Esta é a mágica da poesia, movimentar a Vida e alcançar o infinito.” Bel Plá

imagem: mandala "flower explosion", internet

Louco

Perguntas como me tornei louco.
Foi assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia
confeccionado e usado em sete vidas -
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns
correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!"
Olhei para cima, pra vê-lo.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
"Benditos, os ladrões que
roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanta liberdade
como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos
compreende escraviza alguma coisa em nós.

Gibran Khalil Gibran

quinta-feira, 27 de março de 2014

Crônica

     Mudar dói, mas faz a diferença. Já pensou nisso?

     A educação é a base de tudo, exigimos urgentemente que os governos se posicionem e tomem as grandes medidas necessárias para refrear o aquecimento global e outras consequências gravíssimas e andamos nas ruas e vemos pessoas jogando papel na sarjeta (quando chegam até a sarjeta).
     A solidariedade, que é um fator fundamental de mudança de atitude, é aprendido de berço. Andamos no calçadão zigue-zagueando, para evitar colidir com as outras pessoas, que, numa atitude extremamente egocêntrica, andam como ovelhas seguindo o rebanho, incapazes de um gesto carinhoso de dar a vez a outra pessoa. Isto será maldade da parte delas? Não acredito, tem mais geito de ser produto de maus hábitos criados na infância e que não foram corrigidos ao longo da vida por falta de vontade (dá trabalho romper paradigmas).

     A frase conhecida: "farinha pouca, meu pirão primeiro" , que tem regido os relacionamentos humanos em seus diversos âmbitos,  é um paradigma perfeitamente passível de ser trocado, mas para isso é exigido um esforço pessoal que gera gasto de energia.

     Não podemos ficar parados, nossa missão é grandiosa, chega de falsa humildade, aqueles que já se deram conta do que precisa ser mudado tem o COMPROMISSO de entrar em ação imediatamente. É preciso assumir aquela atitude básica e fundamental de "fazer a sua parte", atitude esta que, somada,  pode manter nosso planeta habitável.

     Bel Plá

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago - Resenha

     Um livro marcante e intenso. O discurso de  Saramago de forma contínua, com frases emendadas apenas com vírgulas e parágrafos imensos, nos levam a uma leitura em alta velocidade, os fatos vão ocorrendo, as pessoas vão cegando, e não achamos um ponto para tomar fôlego. Somos levados das ruas para as casas das pessoas, e destas para o hospício, onde os valores morais vão sendo depostos ante às necessidades de sobrevivência provocadas pelo caos que o mundo da cegueira provoca.
Saramago mostra o lado degradante a que os seres humanos podem chegar, e ao mesmo tempo nos traz,  no desenrolar da história, justamente a superação do momento caótico pela intervenção de elementos positivos, como o Amor, a compaixão, o espírito de solidariedade, o conceito da união para a sobrevivência do grupo.
     Muito tocante a união das mulheres indo expontaneamente satisfazer as necessidades sexuais dos homens do outro grupo, passando por cima de sua dignidade.
     Também marcante é a cena da mulher do médico servindo água nas taças de cristal, ao receber os cegos sujos e esfarrapados, sentados em seus sofás.
     Aliás, a mulher tem um papel fundamental na história.
     Tem uma frase muito marcante... "uma coisa que não tem nome, isso é o que somos".
     É evidente que isso é a natureza humana, mas pelos muitos comentários que li anteriormente, iniciei a leitura achando que ele referia esse termo a esse comportamento vil, abjeto, deplorável, que foi se manifestando, cada vez com mais intensidade.
     Mas o que ficou para mim, de toda obra, é que a natureza humana verdadeira é justamente a que foi mostrada por esse grupo que aprendeu a sobreviver e cuidar uns dos outros, e é esta que ele nos instiga a abrir os olhos para ver, não é um grito desesperado de quem vê que não tem mais jeito.
     É um grito desesperado de quem nos diz: Abram os olhos, vejam quem são vocês, vejam o outro como ele realmente é, feche os olhos para o aspecto material e enxergue a grandiosidade que é o ser humano, enquanto é tempo.
     ISSO É O QUE SOMOS, SÓ NÃO ENXERGAMOS PORQUE ESTAMOS COM OS OLHOS FECHADOS- BASTA ABRIR E VER- ISTO É A NOSSA ESSÊNCIA.
     Bel Plá