segunda-feira, 31 de março de 2014
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=4gIwWMMgURY
Vídeo: Na floresta- Gibran Khalil gibran
Nas vozes de Letícia Sabatella e Marcus Viana
Vídeo: Na floresta- Gibran Khalil gibran
Nas vozes de Letícia Sabatella e Marcus Viana
Na floresta
Na floresta não existe nem rebanho nem pastor
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.
Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitama ninguém reverenciam.
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se esvaiquando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta,
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.
Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.
Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.
Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.
Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem:“Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.
Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá
Após findar-se a existência,
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.
Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitama ninguém reverenciam.
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se esvaiquando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta,
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.
Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.
Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.
Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.
Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem:“Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.
Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá
Após findar-se a existência,
Gibran Khalil Gibran
domingo, 30 de março de 2014
Poema de Outono
Cheiro de fruta madura,
é outono
no meu coração.
Vejo as folhas caídas,
sinto a leveza do vento,
a Vida seguindo seu ciclo.
Assim como as árvores,
reciclo meus ganhos,
meus planos,
meus sentimentos.
Tomo a forma latente,
mudo o ritmo,
me acalmo
e adormeço.
e nesse aparente sossego,
a Vida,
que é vibrante,
liberta-se das minhas amarras,
e elabora
novos brotos,
renovados,
para resplandecer na primavera!
Bel Plá
é outono
no meu coração.
Vejo as folhas caídas,
sinto a leveza do vento,
a Vida seguindo seu ciclo.
Assim como as árvores,
reciclo meus ganhos,
meus planos,
meus sentimentos.
Tomo a forma latente,
mudo o ritmo,
me acalmo
e adormeço.
e nesse aparente sossego,
a Vida,
que é vibrante,
liberta-se das minhas amarras,
e elabora
novos brotos,
renovados,
para resplandecer na primavera!
Bel Plá
sábado, 29 de março de 2014
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=9E176xP4cuM&feature=youtu.be
Vídeo divulgado ao público no site do CEBB e n página do facebook, do Retiro com Lama Santem "Ação no Mundo e as Mandalas de Sabedoria"
Vídeo divulgado ao público no site do CEBB e n página do facebook, do Retiro com Lama Santem "Ação no Mundo e as Mandalas de Sabedoria"
"O carma é algo criado por nós, e tudo o que é criado pode ser alterado"
Entrevista de Lama Tsering Everest concedida ao site Vya Estelar:
Vya Estelar - O que são e quais são os venenos da mente?
Lama Tsering - Os venenos da mente são divididos em três categorias principais. A primeira é o apego ou desejo, que inclui o ficar preso física ou mentalmente a pessoas, objetos e fenômenos. A segunda é a raiva, que significa rejeitar, não querer, afastar algo de você. O terceiro é a ignorância, que significa não ter uma noção clara da vida, não compreender a natureza verdadeira das coisas.
Estes venenos agem de maneira interdependente. O que ocorre é que, quando não temos uma visão real da vida, acabamos criando desejos e apegos. E quando não conseguimos o que queremos, criamos aversão e ficamos com raiva.
Os venenos da mente agem como toxinas, criando energias mentais negativas.
Estas energias são expressas em nossas ações, palavras e pensamentos, causando um
sofrimento cíclico, em cadeia, que se repete infinitamente.
Vya Estelar - Existem 84.000 venenos na mente?
Lama Tsering - Sim. Eles são uma combinação dos três venenos principais, sendo que podemos adicionar a eles o orgulho e a inveja. Estas combinações vão ficando cada vez mais sofisticadas e representam as diferentes formas errôneas com que nossa mente pode atuar.
Vya Estelar - A raiva seria o principal veneno da mente?
Lama Tsering - A raiva é o veneno mais grosseiro e o que traz as conseqüências mais terríveis, cruas e diretas. O desejo é mais sutil e, em nossa sociedade atual, é até mesmo considerado uma coisa boa, apesar de trazer tanto sofrimento. Mas o veneno fundamental, realmente, é a ignorância, é o não reconhecimento da natureza verdadeira dos fenômenos. Não podemos dizer que a ignorância seja o pior veneno, mas ele é o primeiro, o que dá origem a todos os outros.
Vya Estelar - Como fazer para eliminar a raiva ou domá-la?
Lama Tsering - Há várias formas para começar a lidar com nossos venenos mentais. A primeira coisa a ser feita é reeducar-nos, no sentido de identificar os venenos em nossa própria mente, suas conseqüências e o que podemos esperar deles. Parece óbvio dizer que temos que nos reeducar, mas não é. Por exemplo, achamos que é OK ficar com raiva quando alguém faz algo errado conosco, nos fere, é injusto. E não é OK. A raiva é um veneno mental e produz experiências dolorosas para quem a sente, não importando se o motivo que a tenha criado seja "aparentemente justificável".
Você tem que ser educado para saber que não deve tomar veneno de rato, por exemplo. Se você entender isso, vai saber que, se tomar veneno de rato, ainda que o gosto seja doce, sofrerá um dano imenso.
Vya Estelar - Há um senso comum entre as pessoas de que devemos expressar nossa raiva, "pôr para fora". O Budismo acredita nisso de alguma forma?
Lama Tsering - Não, o Budismo não acredita nisso, porque os venenos da mente agem como um bumerangue. Se você atirar sua raiva adiante, o que você vai receber de volta é mais raiva. Nós não compreendemos que nossas ações, palavras e pensamentos são como bumerangues, e não como uma bola, que jogamos em direção a alguém e lá ela fica. O bumerangue é atirado adiante e ele volta. Quando não entendemos essa regra básica, nos tornamos nossas próprias vítimas e, feridos e ignorantes, jogamos o bumerangue de volta, causando sofrimento atrás de sofrimento.
O Senhor Buda ensinou que é importante termos paciência, mesmo quando momentos difíceis acontecem, porque estes momentos são resultado de bumerangues lançados por nós mesmos, anteriormente. Se um bumerangue estiver voltando, aceite-o, tenha paciência, deixe que ele caia. Não atire mais três ou quatro de volta, porque eles também vão voltar.
Vya Estelar - É melhor "engolir" a raiva?
Lama Tsering - Melhor engolir do que cuspir de volta. Mas engolir também não ajuda. Por isso, precisamos nos reeducar. Temos que refletir e contemplar as conseqüências dos venenos mentais, para começamos a obter elementos para lidar com eles. No entanto, o que precisamos realmente é cortar esses venenos. E isso conseguimos fazer através da meditação.
Mas, enquanto não desenvolvermos estas técnicas de contemplação e meditação, precisamos evitar a raiva. Se ainda não tivermos os meios hábeis para lidar com a situação, é melhor correr do que reagir. Ou talvez você deva segurar sua respiração por um instante e esperar a raiva passar. Quando você estiver um pouco mais treinado, talvez não precise correr nem
prender a respiração, e consiga converter a situação negativa em amor e compaixão.
Talvez consiga transformar a raiva, lembrando-se de que todos querem ser felizes, e as pessoas fazem o que fazem porque acham que aquilo trará felicidade. Ao lembrar-se disso, pode cultivar a compaixão e ver que você e aquela pessoa não são diferentes: você já agiu raivosamente antes porque achava que aquilo o faria feliz. E, compassivo pelo fato de que aquela pessoa não sabe das conseqüências que a raiva traz, você converte sua emoção negativa em emoções positivas, como amor e compaixão.
E mais tarde, quando você já estiver ainda mais treinado, poderá não apenas converter o negativo em positivo, mas liberar as emoções negativas em sua própria essência, cuja natureza é a perfeição.
Grandes mestres e praticantes lidam com sua raiva dessa forma. A raiva ocorre, mas ela é livre, assim como as nuvens, que ocorrem mas dançam livres no céu.
Vya Estelar - O que é a impermanência?
Lama Tsering - Encare sua vida como se fosse um banco no parque, em uma tarde de clima ameno. Você vai até lá passar algumas horas, sentado, aproveitando tudo ao máximo: a brisa fresca, os pássaros cantando, as borboletas, o sol batendo no rosto. Tudo aquilo dura pouco tempo e vai chegar ao fim. Por isso, você deve aproveitar o momento e criar boas condições. Você não deve se apegar ao banco.
Não tente colocar uma etiqueta nele com o seu nome, querendo mantê-lo para você! Isso vai impedi-lo de sentir o prazer e a liberdade de estar lá, simplesmente sentado. E se alguém se sentar com você, seja gentil, tratando-a com amor e compaixão. Não brigue com esta pessoa. Seu tempo é muito curto. Vocês estão ali apenas de passagem.
Ao lembrarmos de que tudo na vida é impermanente e chega ao fim, podemos ser generosos com ela, sabendo que provavelmente ela nunca pensa no fato de que terá que deixar o banco em breve, assim como você. Todos nós queremos manter as coisas e não conseguimos. Temos que ter compaixão por elas, e por nós mesmos. Compreender a impermanência nos faz ricos: temos tudo neste momento e podemos ser generosos, abertos, decididos a fazer o que pudermos para beneficiar a todos com o nosso amor, sem medo de perder.
Vya Estelar - É possível reduzir o carma?
Lama Tsering - Sim, o carma é purificável através da educação e da meditação. O carma é algo criado por nós, e tudo o que é criado pode ser alterado. Só o que está além da criação - como a natureza absoluta da nossa mente - não pode ser alterado. Há duas formas de eliminar o carma negativo: uma delas é experienciar as situações da vida sem rejeitá-las, e recebê-las com amor e compaixão, transformando carma negativo em positivo; a outra forma é purificar o carma negativo antes de vivenciá-lo, e ir além do carma, não importando se ele é positivo ou negativo. Esta segunda maneira de abordar a questão é crucial,
mas só pode acontecer depois de treinarmos nossa mente através de avançadas
técnicas de meditação.
De maneira mais imediata, a melhor coisa a ser feita é transformar carma negativo em carma positivo. Mas precisamos ter em mente que produzir carma positivo não é uma solução absoluta para nosso sofrimento. Porque todo carma, positivo ou negativo, é impermanente. Isso significa que, seja qual for o resultado positivo que você crie, ele também vai mudar, mais cedo ou mais tarde. É um ciclo: o que é positivo se transforma em negativo e o que é negativo, em positivo. A única saída é obter a realização da iluminação e
tirar você e sua mente deste sistema cíclico de existência. Enquanto isso não ocorre, faça seu melhor e crie condições positivas para suas experiências futuras, aceitando o seu carma, vivendo-o da melhor forma posssível e o purificando.
Vya Estelar - Como fazer para terminar um relacionamento com alguém com quem não combinamos muito, sem criar carma negativo e nem sofrimento?
Lama Tsering - Podemos dizer que a principal religião de nossa sociedade atual é o amor - nossas músicas, nossos filmes e nossos anseios são todos a respeito de relacionamentos - e, no entanto, nós nem ao menos sabemos o que é o amor. As pessoas se preocupam muito com os relacionamentos mas, na verdade, elas se preocupam mesmo é consigo mesmas. Elas querem ter um amor porque isso fará com que elas se sintam bem.
E o Budismo traz um novo paradigma a este respeito: amar é querer que o outro seja feliz. Ao amar, devemos nos preocupamos com o bem-estar do outro e não em atender aos nossos interesses. Se você está com uma pessoa, é por causa do carma. Enquanto estiver com ela, você deve fazê-la o mais feliz possível. E se você deve terminar ou não o relacionamento, vai depender se isso vai fazê-la mais feliz ou mais infeliz. Sua preocupação não deve ter nada a ver com a sua própria felicidade. Se você tiver isto em mente, é mais provável que tome a decisão mais correta.
O relacionamento vai acabar de um jeito ou de outro. Lembre-se da impermanência: você e a outra pessoa não duram para sempre. O próprio relacionamento é impermanente e vai acabar naturalmente, quando não houver mais carma entre vocês. Então, aproveite o momento, e não se esqueça de pensar no bem-estar dos demais, mais do que no seu próprio. Isso é libertador.
Vya Estelar - O que são e quais são os venenos da mente?
Lama Tsering - Os venenos da mente são divididos em três categorias principais. A primeira é o apego ou desejo, que inclui o ficar preso física ou mentalmente a pessoas, objetos e fenômenos. A segunda é a raiva, que significa rejeitar, não querer, afastar algo de você. O terceiro é a ignorância, que significa não ter uma noção clara da vida, não compreender a natureza verdadeira das coisas.
Estes venenos agem de maneira interdependente. O que ocorre é que, quando não temos uma visão real da vida, acabamos criando desejos e apegos. E quando não conseguimos o que queremos, criamos aversão e ficamos com raiva.
Os venenos da mente agem como toxinas, criando energias mentais negativas.
Estas energias são expressas em nossas ações, palavras e pensamentos, causando um
sofrimento cíclico, em cadeia, que se repete infinitamente.
Vya Estelar - Existem 84.000 venenos na mente?
Lama Tsering - Sim. Eles são uma combinação dos três venenos principais, sendo que podemos adicionar a eles o orgulho e a inveja. Estas combinações vão ficando cada vez mais sofisticadas e representam as diferentes formas errôneas com que nossa mente pode atuar.
Vya Estelar - A raiva seria o principal veneno da mente?
Lama Tsering - A raiva é o veneno mais grosseiro e o que traz as conseqüências mais terríveis, cruas e diretas. O desejo é mais sutil e, em nossa sociedade atual, é até mesmo considerado uma coisa boa, apesar de trazer tanto sofrimento. Mas o veneno fundamental, realmente, é a ignorância, é o não reconhecimento da natureza verdadeira dos fenômenos. Não podemos dizer que a ignorância seja o pior veneno, mas ele é o primeiro, o que dá origem a todos os outros.
Vya Estelar - Como fazer para eliminar a raiva ou domá-la?
Lama Tsering - Há várias formas para começar a lidar com nossos venenos mentais. A primeira coisa a ser feita é reeducar-nos, no sentido de identificar os venenos em nossa própria mente, suas conseqüências e o que podemos esperar deles. Parece óbvio dizer que temos que nos reeducar, mas não é. Por exemplo, achamos que é OK ficar com raiva quando alguém faz algo errado conosco, nos fere, é injusto. E não é OK. A raiva é um veneno mental e produz experiências dolorosas para quem a sente, não importando se o motivo que a tenha criado seja "aparentemente justificável".
Você tem que ser educado para saber que não deve tomar veneno de rato, por exemplo. Se você entender isso, vai saber que, se tomar veneno de rato, ainda que o gosto seja doce, sofrerá um dano imenso.
Vya Estelar - Há um senso comum entre as pessoas de que devemos expressar nossa raiva, "pôr para fora". O Budismo acredita nisso de alguma forma?
Lama Tsering - Não, o Budismo não acredita nisso, porque os venenos da mente agem como um bumerangue. Se você atirar sua raiva adiante, o que você vai receber de volta é mais raiva. Nós não compreendemos que nossas ações, palavras e pensamentos são como bumerangues, e não como uma bola, que jogamos em direção a alguém e lá ela fica. O bumerangue é atirado adiante e ele volta. Quando não entendemos essa regra básica, nos tornamos nossas próprias vítimas e, feridos e ignorantes, jogamos o bumerangue de volta, causando sofrimento atrás de sofrimento.
O Senhor Buda ensinou que é importante termos paciência, mesmo quando momentos difíceis acontecem, porque estes momentos são resultado de bumerangues lançados por nós mesmos, anteriormente. Se um bumerangue estiver voltando, aceite-o, tenha paciência, deixe que ele caia. Não atire mais três ou quatro de volta, porque eles também vão voltar.
Vya Estelar - É melhor "engolir" a raiva?
Lama Tsering - Melhor engolir do que cuspir de volta. Mas engolir também não ajuda. Por isso, precisamos nos reeducar. Temos que refletir e contemplar as conseqüências dos venenos mentais, para começamos a obter elementos para lidar com eles. No entanto, o que precisamos realmente é cortar esses venenos. E isso conseguimos fazer através da meditação.
Mas, enquanto não desenvolvermos estas técnicas de contemplação e meditação, precisamos evitar a raiva. Se ainda não tivermos os meios hábeis para lidar com a situação, é melhor correr do que reagir. Ou talvez você deva segurar sua respiração por um instante e esperar a raiva passar. Quando você estiver um pouco mais treinado, talvez não precise correr nem
prender a respiração, e consiga converter a situação negativa em amor e compaixão.
Talvez consiga transformar a raiva, lembrando-se de que todos querem ser felizes, e as pessoas fazem o que fazem porque acham que aquilo trará felicidade. Ao lembrar-se disso, pode cultivar a compaixão e ver que você e aquela pessoa não são diferentes: você já agiu raivosamente antes porque achava que aquilo o faria feliz. E, compassivo pelo fato de que aquela pessoa não sabe das conseqüências que a raiva traz, você converte sua emoção negativa em emoções positivas, como amor e compaixão.
E mais tarde, quando você já estiver ainda mais treinado, poderá não apenas converter o negativo em positivo, mas liberar as emoções negativas em sua própria essência, cuja natureza é a perfeição.
Grandes mestres e praticantes lidam com sua raiva dessa forma. A raiva ocorre, mas ela é livre, assim como as nuvens, que ocorrem mas dançam livres no céu.
Vya Estelar - O que é a impermanência?
Lama Tsering - Encare sua vida como se fosse um banco no parque, em uma tarde de clima ameno. Você vai até lá passar algumas horas, sentado, aproveitando tudo ao máximo: a brisa fresca, os pássaros cantando, as borboletas, o sol batendo no rosto. Tudo aquilo dura pouco tempo e vai chegar ao fim. Por isso, você deve aproveitar o momento e criar boas condições. Você não deve se apegar ao banco.
Não tente colocar uma etiqueta nele com o seu nome, querendo mantê-lo para você! Isso vai impedi-lo de sentir o prazer e a liberdade de estar lá, simplesmente sentado. E se alguém se sentar com você, seja gentil, tratando-a com amor e compaixão. Não brigue com esta pessoa. Seu tempo é muito curto. Vocês estão ali apenas de passagem.
Ao lembrarmos de que tudo na vida é impermanente e chega ao fim, podemos ser generosos com ela, sabendo que provavelmente ela nunca pensa no fato de que terá que deixar o banco em breve, assim como você. Todos nós queremos manter as coisas e não conseguimos. Temos que ter compaixão por elas, e por nós mesmos. Compreender a impermanência nos faz ricos: temos tudo neste momento e podemos ser generosos, abertos, decididos a fazer o que pudermos para beneficiar a todos com o nosso amor, sem medo de perder.
Vya Estelar - É possível reduzir o carma?
Lama Tsering - Sim, o carma é purificável através da educação e da meditação. O carma é algo criado por nós, e tudo o que é criado pode ser alterado. Só o que está além da criação - como a natureza absoluta da nossa mente - não pode ser alterado. Há duas formas de eliminar o carma negativo: uma delas é experienciar as situações da vida sem rejeitá-las, e recebê-las com amor e compaixão, transformando carma negativo em positivo; a outra forma é purificar o carma negativo antes de vivenciá-lo, e ir além do carma, não importando se ele é positivo ou negativo. Esta segunda maneira de abordar a questão é crucial,
mas só pode acontecer depois de treinarmos nossa mente através de avançadas
técnicas de meditação.
De maneira mais imediata, a melhor coisa a ser feita é transformar carma negativo em carma positivo. Mas precisamos ter em mente que produzir carma positivo não é uma solução absoluta para nosso sofrimento. Porque todo carma, positivo ou negativo, é impermanente. Isso significa que, seja qual for o resultado positivo que você crie, ele também vai mudar, mais cedo ou mais tarde. É um ciclo: o que é positivo se transforma em negativo e o que é negativo, em positivo. A única saída é obter a realização da iluminação e
tirar você e sua mente deste sistema cíclico de existência. Enquanto isso não ocorre, faça seu melhor e crie condições positivas para suas experiências futuras, aceitando o seu carma, vivendo-o da melhor forma posssível e o purificando.
Vya Estelar - Como fazer para terminar um relacionamento com alguém com quem não combinamos muito, sem criar carma negativo e nem sofrimento?
Lama Tsering - Podemos dizer que a principal religião de nossa sociedade atual é o amor - nossas músicas, nossos filmes e nossos anseios são todos a respeito de relacionamentos - e, no entanto, nós nem ao menos sabemos o que é o amor. As pessoas se preocupam muito com os relacionamentos mas, na verdade, elas se preocupam mesmo é consigo mesmas. Elas querem ter um amor porque isso fará com que elas se sintam bem.
E o Budismo traz um novo paradigma a este respeito: amar é querer que o outro seja feliz. Ao amar, devemos nos preocupamos com o bem-estar do outro e não em atender aos nossos interesses. Se você está com uma pessoa, é por causa do carma. Enquanto estiver com ela, você deve fazê-la o mais feliz possível. E se você deve terminar ou não o relacionamento, vai depender se isso vai fazê-la mais feliz ou mais infeliz. Sua preocupação não deve ter nada a ver com a sua própria felicidade. Se você tiver isto em mente, é mais provável que tome a decisão mais correta.
O relacionamento vai acabar de um jeito ou de outro. Lembre-se da impermanência: você e a outra pessoa não duram para sempre. O próprio relacionamento é impermanente e vai acabar naturalmente, quando não houver mais carma entre vocês. Então, aproveite o momento, e não se esqueça de pensar no bem-estar dos demais, mais do que no seu próprio. Isso é libertador.
* Do site: odsalling/ensinamentos
sexta-feira, 28 de março de 2014
Louco
Perguntas como me tornei louco.
Foi assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia
confeccionado e usado em sete vidas -
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns
correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!"
Olhei para cima, pra vê-lo.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
"Benditos, os ladrões que
roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanta liberdade
como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos
compreende escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil Gibran
Foi assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia
confeccionado e usado em sete vidas -
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns
correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!"
Olhei para cima, pra vê-lo.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
"Benditos, os ladrões que
roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanta liberdade
como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos
compreende escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil Gibran
quinta-feira, 27 de março de 2014
"Vivemos tempos em que não se espera maior heroísmo do que viver com simplicidade. Os salvadores da pátria, das revistas em quadrinhos ou de filmes de Hollywood, saíram das telas e do imaginário e, hoje, desfilam pelas calçadas, anônima e silenciosamente, salvando o planeta com gestos simples – porque o destino do mundo está nas mãos de quem não joga lixo na rua e consome produtos menos poluentes." Seicho-No-Ie, Círculo de Harmonia
Crônica
Mudar dói, mas faz a diferença. Já pensou nisso?
A educação é a base de tudo, exigimos urgentemente que os governos se posicionem e tomem as grandes medidas necessárias para refrear o aquecimento global e outras consequências gravíssimas e andamos nas ruas e vemos pessoas jogando papel na sarjeta (quando chegam até a sarjeta).
A solidariedade, que é um fator fundamental de mudança de atitude, é aprendido de berço. Andamos no calçadão zigue-zagueando, para evitar colidir com as outras pessoas, que, numa atitude extremamente egocêntrica, andam como ovelhas seguindo o rebanho, incapazes de um gesto carinhoso de dar a vez a outra pessoa. Isto será maldade da parte delas? Não acredito, tem mais geito de ser produto de maus hábitos criados na infância e que não foram corrigidos ao longo da vida por falta de vontade (dá trabalho romper paradigmas).
A frase conhecida: "farinha pouca, meu pirão primeiro" , que tem regido os relacionamentos humanos em seus diversos âmbitos, é um paradigma perfeitamente passível de ser trocado, mas para isso é exigido um esforço pessoal que gera gasto de energia.
Não podemos ficar parados, nossa missão é grandiosa, chega de falsa humildade, aqueles que já se deram conta do que precisa ser mudado tem o COMPROMISSO de entrar em ação imediatamente. É preciso assumir aquela atitude básica e fundamental de "fazer a sua parte", atitude esta que, somada, pode manter nosso planeta habitável.
Bel Plá
A educação é a base de tudo, exigimos urgentemente que os governos se posicionem e tomem as grandes medidas necessárias para refrear o aquecimento global e outras consequências gravíssimas e andamos nas ruas e vemos pessoas jogando papel na sarjeta (quando chegam até a sarjeta).
A solidariedade, que é um fator fundamental de mudança de atitude, é aprendido de berço. Andamos no calçadão zigue-zagueando, para evitar colidir com as outras pessoas, que, numa atitude extremamente egocêntrica, andam como ovelhas seguindo o rebanho, incapazes de um gesto carinhoso de dar a vez a outra pessoa. Isto será maldade da parte delas? Não acredito, tem mais geito de ser produto de maus hábitos criados na infância e que não foram corrigidos ao longo da vida por falta de vontade (dá trabalho romper paradigmas).
A frase conhecida: "farinha pouca, meu pirão primeiro" , que tem regido os relacionamentos humanos em seus diversos âmbitos, é um paradigma perfeitamente passível de ser trocado, mas para isso é exigido um esforço pessoal que gera gasto de energia.
Não podemos ficar parados, nossa missão é grandiosa, chega de falsa humildade, aqueles que já se deram conta do que precisa ser mudado tem o COMPROMISSO de entrar em ação imediatamente. É preciso assumir aquela atitude básica e fundamental de "fazer a sua parte", atitude esta que, somada, pode manter nosso planeta habitável.
Bel Plá
quarta-feira, 26 de março de 2014
Ensaio sobre a cegueira - José Saramago - Resenha
Um livro marcante e intenso. O discurso de Saramago de forma contínua, com frases emendadas apenas com vírgulas e parágrafos imensos, nos levam a uma leitura em alta velocidade, os fatos vão ocorrendo, as pessoas vão cegando, e não achamos um ponto para tomar fôlego. Somos levados das ruas para as casas das pessoas, e destas para o hospício, onde os valores morais vão sendo depostos ante às necessidades de sobrevivência provocadas pelo caos que o mundo da cegueira provoca.
Saramago mostra o lado degradante a que os seres humanos podem chegar, e ao mesmo tempo nos traz, no desenrolar da história, justamente a superação do momento caótico pela intervenção de elementos positivos, como o Amor, a compaixão, o espírito de solidariedade, o conceito da união para a sobrevivência do grupo.
Muito tocante a união das mulheres indo expontaneamente satisfazer as necessidades sexuais dos homens do outro grupo, passando por cima de sua dignidade.
Também marcante é a cena da mulher do médico servindo água nas taças de cristal, ao receber os cegos sujos e esfarrapados, sentados em seus sofás.
Aliás, a mulher tem um papel fundamental na história.
Tem uma frase muito marcante... "uma coisa que não tem nome, isso é o que somos".
É evidente que isso é a natureza humana, mas pelos muitos comentários que li anteriormente, iniciei a leitura achando que ele referia esse termo a esse comportamento vil, abjeto, deplorável, que foi se manifestando, cada vez com mais intensidade.
Mas o que ficou para mim, de toda obra, é que a natureza humana verdadeira é justamente a que foi mostrada por esse grupo que aprendeu a sobreviver e cuidar uns dos outros, e é esta que ele nos instiga a abrir os olhos para ver, não é um grito desesperado de quem vê que não tem mais jeito.
É um grito desesperado de quem nos diz: Abram os olhos, vejam quem são vocês, vejam o outro como ele realmente é, feche os olhos para o aspecto material e enxergue a grandiosidade que é o ser humano, enquanto é tempo.
ISSO É O QUE SOMOS, SÓ NÃO ENXERGAMOS PORQUE ESTAMOS COM OS OLHOS FECHADOS- BASTA ABRIR E VER- ISTO É A NOSSA ESSÊNCIA.
Bel Plá
Saramago mostra o lado degradante a que os seres humanos podem chegar, e ao mesmo tempo nos traz, no desenrolar da história, justamente a superação do momento caótico pela intervenção de elementos positivos, como o Amor, a compaixão, o espírito de solidariedade, o conceito da união para a sobrevivência do grupo.
Muito tocante a união das mulheres indo expontaneamente satisfazer as necessidades sexuais dos homens do outro grupo, passando por cima de sua dignidade.
Também marcante é a cena da mulher do médico servindo água nas taças de cristal, ao receber os cegos sujos e esfarrapados, sentados em seus sofás.
Aliás, a mulher tem um papel fundamental na história.
Tem uma frase muito marcante... "uma coisa que não tem nome, isso é o que somos".
É evidente que isso é a natureza humana, mas pelos muitos comentários que li anteriormente, iniciei a leitura achando que ele referia esse termo a esse comportamento vil, abjeto, deplorável, que foi se manifestando, cada vez com mais intensidade.
Mas o que ficou para mim, de toda obra, é que a natureza humana verdadeira é justamente a que foi mostrada por esse grupo que aprendeu a sobreviver e cuidar uns dos outros, e é esta que ele nos instiga a abrir os olhos para ver, não é um grito desesperado de quem vê que não tem mais jeito.
É um grito desesperado de quem nos diz: Abram os olhos, vejam quem são vocês, vejam o outro como ele realmente é, feche os olhos para o aspecto material e enxergue a grandiosidade que é o ser humano, enquanto é tempo.
ISSO É O QUE SOMOS, SÓ NÃO ENXERGAMOS PORQUE ESTAMOS COM OS OLHOS FECHADOS- BASTA ABRIR E VER- ISTO É A NOSSA ESSÊNCIA.
Bel Plá
terça-feira, 25 de março de 2014
Artigo
VIVENDO E APRENDENDO
Viver é uma experiência que acontece espontaneamente, ninguém pensa que está vivendo ou que os próximos instantes serão exatamente desta ou daquela forma. Não se decide que agora está na hora de respirar ou que em um determinado local do corpo está precisando de uma dose maior de um determinado nutriente. A Vida que anima nosso organismo se encarrega dessa distribuição e direcionamento das forças vitais.
Viver é uma experiência que acontece espontaneamente, ninguém pensa que está vivendo ou que os próximos instantes serão exatamente desta ou daquela forma. Não se decide que agora está na hora de respirar ou que em um determinado local do corpo está precisando de uma dose maior de um determinado nutriente. A Vida que anima nosso organismo se encarrega dessa distribuição e direcionamento das forças vitais.
Nesta fantástica experiência que supera qualquer entendimento, temos uma parcela de compromisso com o fazer acontecer, e isto nos é assegurado pelo livre-arbítrio. Somos seres dotados de um nível de consciência bastante elevado, e quando esta está um tanto quanto embotada, ficamos envolvidos num torpor que nos dificulta uma interpretação correta da realidade. E passamos a aceitar uma “sobrevida”, atribuindo possíveis infortúnios à ação invasiva dos outros ou à “vontade de Deus”, de uma forma passiva e relativamente cômoda.
Por isso precisamos sempre de treinamentos diários, para voltar a nos maravilharmos com as coisas que viraram banais, como olhar fundo nos olhos dos filhos, observar a maravilha natural que é uma gota de orvalho, prestar atenção nas pequenas gentilezas que nos fazem. Tudo isso passa varrido se nossa mente estiver sempre atribulada, só habituada no "ir atrás", correr atrás da máquina.
Pode parecer que tenhamos muitos outros objetivos importantes na vida, mas qualquer um que não seja manifestar nosso Deus interior é secundário, é consequência. Somos Vida, somos Amor, somos Sabedoria. Somos seres divinos, e, comportando-nos como tal, todo o mais que desejarmos vem em acréscimo, já nos dizia o grande mestre Jesus. Nossas experiências materiais são para o aprimoramento da nossa alma, que precisa se polir com o atrito resultante dessas experiências, especialmente vividas com outras pessoas.
Mas o esteio da vida é o Amor, e ele deve ser vivido, em primeiro lugar em nosso lar. Amar é acreditar que o outro é Bom por natureza, que pode fazer coisas boas e cada vez melhores. É apostar no filho, incentivar quando ele acha que não tem capacidade, elogiar quando ele acertar, dar um tempo útil ao filho, mesmo que por pouco tempó, que seja verdadeiramente com ele, no futuro ele vai precisar dessas horas que passou com o pai ou com a mãe como incentivo à coragem e autoconfiança. Quando o mundo lhe disser: -Não consegues, de dentro vai vir a certeza: -Vai, que dá! eu acredito em ti!
Bel Plá
segunda-feira, 24 de março de 2014
A casa de Rubem Alves- Jardins
"Menino, os jardins eram o lugar de minha maior felicidade. Dentro da casa os adultos estavam sempre vigiando: “Não mexa aí, não faça isso, não faça aquilo...“ O Paraíso foi perdido quando Adão e Eva começaram a se vigiar. (...)
Havia uma jabuticabeira que eu considerava minha, em especial. Fiz um rego à sua volta para que ela bebesse água todo dia. Jabuticabeiras regadas sempre florescem e frutificam várias vezes por ano. Na ocasião da florada era uma festa. O perfume das suas flores brancas é inesquecível. E vinham milhares de abelhas. No pé de nêspera eu fiz um balanço. Já disse que balançar é o melhor remédio para depressão. Quem balança vira criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado!"
Rubem Alves (Correio Popular, Caderno C, 01/07/2001.)
Havia uma jabuticabeira que eu considerava minha, em especial. Fiz um rego à sua volta para que ela bebesse água todo dia. Jabuticabeiras regadas sempre florescem e frutificam várias vezes por ano. Na ocasião da florada era uma festa. O perfume das suas flores brancas é inesquecível. E vinham milhares de abelhas. No pé de nêspera eu fiz um balanço. Já disse que balançar é o melhor remédio para depressão. Quem balança vira criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado!"
Rubem Alves (Correio Popular, Caderno C, 01/07/2001.)
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